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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Dor no quadril e nos joelhos pode ser 'ressaca da evolução', indica estudo


Cientistas da Universidade de Oxford dizem que uma "ressaca da evolução" poderia ajudar a explicar por que seres humanos sofrem tanto com dores nos ombros, nos quadris e no joelho.
Eles preveem que, mantidas as tendências atuais, os humanos do futuro devem sofrer ainda mais com problemas do tipo. O estudo analisou 300 espécimes de diferentes espécies da linha da evolução humana abrangendo 400 milhões de anos para observar como os ossos mudaram sutilmente através dos milênios.
Puderam, assim, acompanhar as alterações nos ossos conforme o homem foi evoluindo até conseguir ficar de pé sobre as duas pernas. Outros pesquisadores já tinham notado particularidades da evolução na formação óssea das pessoas. Algumas pessoas tem uma coluna vertebral mais encurvada, mais semelhante à de nossos parentes mais próximos, os chimpanzés, e que, por isso, são mais propensas a ter dores nas costas.
Colo do fêmur foi ficando mais grosso (à dir), causando propensão maior de dores.
Paul Monk, que liderou a pesquisa do Departamento de Ortopedia, Reumatologia e Ciências Músculo-esqueléticas, quis saber por que tantos pacientes de sua clínica tinham problemas ortopédicos semelhantes.
"Nós vemos alguns problemas muito comuns na clínica. Dor nos ombros quando se levanta o braço para cima da cabeça, dor na frente dos joelhos, artrite no quadril e, em algumas pessoas mais novas, articulações com tendência a estalar", explicou.
"Nós ficávamos imaginando como nós pudemos chegar a esse arranjo bizarro de ossos e articulações que faz com que as pessoas vivam cheias de dores e com esses problemas."
Lacuna no ombro foi ficando mais estreita - o que leva a dores qundo se levanta os braços acima da cabeça.
"Aí percebemos que a chave estava no estudo da evolução." A equipe analisou tomografias detalhadas de 300 espécimes pré-históricos guardados no Museu Natural de História em Londres, e no Smithsonian Institution, em Washington.
Reunindo os arquivos, eles conseguiram criar uma biblioteca de modelos 3D e conseguiram visualizar as formas de ossos separadamente ao longo de milhões de anos.
Conforme as espécies evoluíam - de quando andavam de quatro até poder se levantar e andar de forma ereta -, pesquisadores notaram mudanças como um aumento no colo do fêmur para suportar o peso extra.
E estudos mostram que, quanto mais grosso for o colo do fêmur, mais propensão a pessoa terá para desenvolver artrite. Cientistas dizem que essa é uma possível razão para humanos estarem suscetíveis a tantas dores no quadril. A equipe, então, usou seus dados para arriscar um palpite sobre a forma dos ossos humanos daqui a 4 mil anos.
"O que é interessante é que se tentarmos projetar essas tendências lá para frente, a forma dos ossos que está por vir é de um colo do fêmur ainda mais grosso, que marcaria uma tendência a se ter ainda mais artrite."
No ombro, os cientistas descobriram que uma lacuna natural - onde os tendões e os vasos sanguíneos normalmente passam - ficou mais estreita ao longo do tempo. Esse espaço menor, segundo os cientistas, faz com que seja mais difícil para os tendões se movimentarem e pode ser a explicação para por que tantas pessoas sentem dor quando levantam os braços para cima da cabeça.
Usando essas previsões, os pesquisadores sugerem que as próteses de articulações do futuro terão de ser redesenhadas para acomodar as formas dos ossos evoluídos.
Mas eles garantem que nem tudo é má notícia: a correta psicoterapia e exercícios para manter uma boa postura podem ajudar a acabar com algumas desvantagens do nosso "corpo evoluído".
Fonte: BBC

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mitos e verdades sobre a dor crônica


A dor crônica é uma condição séria. Trata-se de uma dor persistente, que pode se manter por semanas, meses e até mesmo anos. Vários tipos de dores podem se tornar crônicas, e por não existir diagnóstico que comprove a dor crônica, surgem preceitos que nem sempre representam a realidade dos pacientes e podem contribuir para degenerar a noção do que eles passam diariamente.
Assim, selecionamos algumas frases comumente duvidosas e as desmitificamos, comprovando a sua veracidade. Acreditamos que essa matéria possa ajudar principalmente familiares e amigos de pessoas que sofrem da dor crônica, tendo dificuldades em entender como ela funciona ou como conversar sobre o tema.
Toda dor crônica é igual?
É importante entender que dores crônicas são percebidas de formas distintas por pacientes, mesmo em duas pessoas que sofram da mesma condição. Uma série de fatores, internos e externos, são capazes de mudar a percepção do indivíduo quanto a dor, a intensificando ou não.
Caso o paciente se encontre em um ambiente onde ele é incentivado a não demonstrar que está sentido dor, sua percepção poderá ser alterada. A situação em que ele se encontra, juntamente com a forma com que ele enxerga a própria dor são fatores determinantes para a maneira com que a dor é sentida. É importante entender que, independente de como o indivíduo lida com a dor e manifesta sobre, ela existe e gera sérios transtornos. Logo, jamais negligencie a dor que o paciente está sentindo, mesmo que não aparente ser intensa.

Toda dor é real?
Essa frase está diretamente relacionada ao fato de não existir diagnóstico apropriado para a dor crônica e muitas vezes não ser perceptível que a pessoa está em situação desconfortável. Quando um paciente se encontra com braço engessado ou com curativos à vista, é facilmente compreendido o desconforto sentido. Nem sempre o mesmo ocorre com pacientes da dor crônica.
Toda dor é real, mesmo que psicológica. Não trate a pessoa como se ela tivesse algo a provar, como se fosse preciso “provar que ela realmente sente dor”. Trate-a com respeito, pois você não sabe pelo que ela está passando e, mesmo que não existam indicativos físicos da dor, ela está presente a todo o momento.
O melhor a se dizer ao paciente é recomendar um novo tratamento?
Como mencionado anteriormente, a forma com que um paciente que sofre de dor crônica é tratado influencia em sua percepção quanto a dor. Dessa forma, muitas vezes pode ser uma tarefa complexa saber como reagir a um amigo ou familiar que reclame desse tipo de dor.
Simplesmente recomendar um novo tratamento, na maioria dos casos, não é o melhor caminho. Pessoas que sofrem da dor crônica normalmente já possuem consciência das opções disponíveis e já estão se tratando, logo apenas recomendar um tratamento diferente sem compreender a dor do outro não traz grande ajuda.
O que pode ser feito é se fazer presente para a pessoa. Reconheça a dor sem suspeitas ou preconceitos, sabendo escutar e buscando compreender o que ela está sentido. Ter alguém para poder desabafar livremente já é de grande ajuda e é a melhor coisa possível de ser feita por amigos e familiares.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Dor aqui, dor ali: reumatismo representa aproximadamente 200 doenças


Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a osteoporose acomete, por ano, cerca de 10 milhões de brasileiros e é considerada a epidemia silenciosa do século. Definida como a doença que atinge os ossos, quando se fala em osteoporose, logo faz-se relação com outra patologia: o reumatismo. Porém, conforme explica o médico reumatologista, Dr. Rafael Barbieri, o termo "reumatismo" é utilizado por leigos para definir enfermidades que prejudicam as articulações, músculos tendões e ossos e representa, aproximadamente, 200 doenças, entre elas, a osteoporose.
A doença caracteriza-se pela perda de massa óssea de forma silenciosa, ou seja, sem sintomas, o que facilita a ocorrência de fraturas. Entre as causas da osteoporose estão a deficiência hormonal pós-menopausa, baixa ingestão de cálcio, déficit de vitamina D por baixa exposição solar, tabagismo, entre outros. Em relação ao reumatismo, são inúmeras as causas, desde a mutação genética até lesões por esforço repetitivo que se manifestam como tendinite e bursite.
Dr. Barbieri explica que qualquer faixa etária possui o risco de sofrer enfermidades reumatológicas. Já a osteoporose tem maior incidência no sexo feminino no período pós menopausa, portanto, após os 50 anos em média. "A osteoporose não apresenta sintomas até causar fraturas, por isso, é dita silenciosa na maior parte de sua história natural. No caso das doenças reumatológicas, a principal característica, de forma geral é a dor, seja na articulação, músculos, tendões. Porém também pode se manifestar por meio de lesões cutâneas e renais", salienta o médico.
Com relação ao tratamento, o especialista afirma que, por se tratarem de inúmeras doenças com mecanismos próprios, o tratamento é individualizado, utilizando-se analgésicos, anti-inflamatórios, reposição de cálcio e vitamina D, sempre orientado e acompanhado por profissional reumatologista.
Hábitos e prevenção
Como na maioria das doenças, a prática de atividade física orientada e ajustada para cada faixa etária aliada à alimentação balanceada e exposição solar diária ajudam no combate às doenças que afetam as articulações, músculos, tendões e ossos. "Além disso, não realizar movimentos de repetição por períodos prolongados e utilizar, principalmente no caso dos idosos, os corrimãos das escadas, evitar o uso de tapetes escorregadios para não ocasionar quedas e procurar um reumatologista no início dos sintomas são recomendações para prevenir e tratar doenças reumatológicas", completa Dr. Barbieri.
Doenças Reumatológicas
No que diz respeito às doenças reumatológicas, popularmente conhecidas pelo termo genérico de "reumatismo", acometem não só as articulações, mas qualquer parte do organismo (músculos, ligamentos, rim, pele, cérebro, etc). De acordo com o médico reumatologista e cooperado da Unimed Chapecó, Dr. Glênio Marchezan Gutjahr, existem mais de uma centena de doenças reumatógicas, que podem acometer crianças, adultos e idosos. De acordo com o médico, os tipos mais frequentes são:
  • Osteoartrite (artrose) : caracterizada por inflamação e desgaste da cartilagem, predominatemente em pessoas acima de 50 anos de idade;
  • Fibromialgia:  doença que se manifesta, principalmente, por dor em todo o corpo, cansaço, esquecimentos, depressão, ansiedade, dores de cabeça, tontura e sono não reparador, ou seja, a pessoa acorda cansada, com a sensação de que não dormiu. Sintomas de depressão e ansiedade podem estar presentes em até metade das pessoas acometidas;
  • Artrite Reumatóide: doença crônica, inflamatória, cuja principal característica é a inflamação das articulações das mãos, punhos e pés. Essa inflamação persistente, quando não tratada adequadamente, pode levar à destruição das articulações, o que ocasiona deformidades e limitações para o trabalho e para as atividades da vida diária;
  •  Lúpus: é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, ou seja, é uma condição em que o sistema imunológico, que normalmente defende o nosso corpo de infecções (vírus e bactérias), passa a atacar o próprio organismo. São reconecidos 2 tipos de lúpus: o cutâneo (acomete apenas a pele) e o sistêmico, o qual um ou mais órgão internos são acometidos. Alguns dos sintomas são: manchas avermelhadas na pele, dor nas articulações, queda significativa dos cabelos, anemia, inflamação da pleura (membrana que reveste os pulmões), hipertensão e/ou problemas nos rins.
  • Gota: está relacionado com a aumento do ácido úrico no sangue e formação de cristais nas articulações levando a artrite. As crises de artrite são provocadas na maiorias das vezes pela ingesta de álcool, carnes e frutos do mar.
  • Lombalgia (dor lombar) e Cervicalgia (dor no pescoço): diversas estruturas podem causar dor como ossos, articulações, ligamentos, músculos, medula espinhal e nervos e mais de 70 doenças se manifestar com dor na coluna, como inflamações, infecções, contusões, luxações, fraturas, erros posturais e sobrecargas. Em alguns casos, podem representar doenças graves e essa gravidade vai depender da causa da dor.
  • Osteopenia e Osteoporose: é a doença que pode atingir todos os ossos do corpo, fazendo com que fiquem fracos e com possibilidade de quebrarem aos mínimos esforços. Mais comuns em mulheres na pós-menopausa e fraturas de qualquer osso podem ocorrer.
Segundo Dr. Gutjahr, existem ainda, muitas outras doenças tratadas pelo médico reumatologista, como Esclerodermia, Espondilite Anquilosante, Artrite Psoriática (em pessoas com uma doença de pele chamada psoríase), Síndrome do Túnel do Carpo, Epicondilites, Burdites, Tendinites, etc.
"Para o tratamento das doenças reumatológicas, usam-se medicamentos orais, subcutâneos e endovenosos, além de fisioterapia, na qual o reforço muscular é o principal objetivo a ser alcançado na maioria das doenças, e infiltrações  com injeção de corticóide diretamente no local inflamado, reduzindo a inflamação e aliviando a dor", explica o especialista.
Verão sem lesões
A prática de exercícios com grande intensidade é comum no fim do inverno para recuperar os quilinhos a mais adquiridos no período mais frio do ano. A busca por resultados imediatos pode trazer consequências à saúde como distensões, edema e dor nos músculos, dor nas articulações devido a encurtamento muscular-tendinoso.
O alerta é do médico ortopedista e traumatologista Joaquim Reichmann. Segundo ele, as articulações mais atingidas, nesses casos, são a coluna vertebral, joelhos, os ombros e cotovelos. As pessoas devem reiniciar a prática de exercícios de maneira progressiva, de acordo com sua idade, peso e condições gerais de saúde. "Após os 40 anos, sempre deve ser feita uma avaliação médica prévia devido ao risco de comprometimento do sistema cardiorrespiratório", orienta.
Outra recomendação é que as atividades físicas sejam praticadas pelo menos uma hora, três vezes por semana. "Não é necessário mais de uma hora por sessão para manter-se em forma", assegura o médico.
Além disso, é fundamental que a pessoa esteja atenta para a alimentação. "A dieta deve ser balanceada, pois precisamos nutrir ossos, músculos e tendões. A ausência de cálcio nos ossos pode provocar osteoporose, já os músculos necessitam de aminoácidos e proteínas."
Reichmann enfatiza que a orientação segura de um profissional é de fundamental importância, pois exercícios mal-conduzidos podem causar problemas nas pernas: se os músculos ísquiotibiais (posterior das coxas e pernas) forem só fortalecidos e não alongados, os joelhos poderão sofrer sobrecarga na parte anterior porque necessitam vencer a resistência dos músculos posteriores fortes e encurtados.
A realização de aquecimento de 5 a 10 minutos antes do início da atividade física, junto com exercícios de alongamentos é outra orientação importante. Deve-se alongar e aquecer os principais grupos musculares dos membros inferiores, coluna vertebral e membros superiores.
Se a pessoa sentir dores nas articulações e, mesmo assim, continuar insistindo na prática das atividades, poderá sofrer problemas mais sérios, como danos nas cartilagens articulares e sinovites (inflamação da membrana sinovial). Poderá sofrer tendinites e rupturas tendinosas e musculares – tendão patelar e tendão de Aquiles, principalmente.
Fonte: Floripa News

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Analgésico para a dor crônica criado a partir de organismos marinhos recolhidos no Algarve


Um novo medicamento analgésico para a dor crônica está a ser desenvolvido pela empresa portuguesa de biotecnologia ‘Sea4us’, cujo princípio ativo é fornecido por organismos marinhos recolhidos no mar de Sagres, no Algarve.
“O princípio ativo está identificado, já o conseguimos purificar e, atualmente, existem três fórmulas que têm a atividade analgésica para a dor persistente”, disse à agência Lusa Pedro Lima, neurofisiologista, biólogo e um dos investigadores da empresa.
Iniciada há seis anos, a pesquisa demonstrou resultados eficazes em laboratório no combate à dor crônica, encontrando-se numa fase avançada: “Procura-se um método de sintetizar artificialmente a fórmula para produzir em quantidade, para que o medicamento possa chegar a toda a gente”.
“O processo está a ser trabalhado em conjunto com os químicos da Universidade Nova de Lisboa”, sublinhou o investigador.
Segundo Pedro Lima, a produção sintética “é o caminho preferido, ao representar uma grande vantagem em termos de sustentabilidade ecológica, evitando a retirada de grandes quantidades de organismos marinhos, mesmo que não tenham valor comercial”.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, a dor crônica afeta cerca de 30% da população mundial, para a qual não existe um tratamento eficaz, sem efeitos secundários significativos nos pacientes.
O investigador frisou que o projeto desenvolvido em Portugal, “é pioneiro, porque é a primeira vez que se tenta encontrar a solução para a dor crônica no mar”, embora exista muita investigação acerca do flagelo que atinge uma grande percentagem da população mundial.
“É um fármaco de grande eficácia, com efeitos secundários vestigiais, não sendo previsível qualquer habituação ou dependência, atuando especificamente numa proteína localizada nos gânglios neuronais situados fora da coluna vertebral, ao contrário dos opioides e outros medicamentos utilizados no tratamento da dor”, assegurou o investigador.
O organismo invertebrado marinho que contém o princípio ativo para a produção do analgésico, foi identificado no mar de Sagres, um dos dois polos da empresa de biotecnologia, onde se desenvolvem as atividades de mergulho e a triagem e preservação das espécies.
Em Sagres, os organismos são recolhidos, catalogados e imortalizados, seguindo depois para o laboratório da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, para serem efetuados os testes de neuroatividade.
“É retirado um extrato impuro do seu composto, estudado o efeito analgésico, e tenta-se atingir a parte indivisível ou seja, a fórmula que constitui o valor bioativo”, explicou Pedro Lima, acrescentando que, “nesta fase da investigação, existe a convicção de que daqui vai sair uma grande ajuda para quem sofre de dor crônica”.
Contudo, refere, existe ainda um longo caminho a percorrer até que o medicamento possa ser comercializado, "pois são necessários, em média, 12 anos desde a descoberta do princípio ativo até à colocação do fármaco no mercado”.
“Não queremos fazer o caminho todo, mas sim chegar a um ponto em que o valor seja suficiente para mitigar o risco e vender para que possa ser produzido pela indústria farmacêutica”, frisou.
O investigador disse, ainda, que “a pesquisa tem sido possível com os apoios de várias entidades, nomeadamente da Universidade Nova de Lisboa e da Câmara de Vila do Bispo”.
Por seu turno, o presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, assegurou que o projeto “vai continuar a ser apoiado, pois é de todo o interesse, não só para quem sofre de dor crônica, mas também para se conhecerem as potencialidades do território”.
“A investigação serve para identificar e criar condições para que as gerações vindouras possam ter aqui uma matéria de conhecimento com elevado rigor científico”, destacou.
Além do desenvolvimento do analgésico para a dor crônica, a ‘Sea4us’ está envolvida na identificação e seleção de espécimes marinhos com potencial para a produção de outros medicamentos, em parceria com laboratórios europeus.
Fonte: http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/analgesico-para-a-dor-cronica-criado-a-partir-de-organismos-marinhos-recolhidos-no-algarve

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Abandono de tratamento ameaça saúde do paciente crônico

As doenças crônicas não transmissíveis representam mais de 72% das causas de mortes no Brasil e quase metade da população apresenta alguma dessas condições, com destaque para depressão, diabete, hipertensão arterial e dislipidemia (colesterol LDL alto), consideradas fatores de risco para doenças cardiovasculares. Esses dados, compilados pelo governo na versão mais recente da Pesquisa Nacional de Saúde, evidenciam a prevalência elevada dessas enfermidades na população. Mas o problema vai além da abrangência:
Grande parte desses pacientes simplesmente abandona o tratamento, que na maioria das vezes deveria se estender por toda a sua vida.
No caso da dislipidemia, condição muitas vezes silenciosa, convencer o paciente a prosseguir com o tratamento pode ser ainda mais desafiador. “Quando um portador de artrite reumatoide não toma seu medicamento, por exemplo, sente dores. Isso não ocorre com quem tem dislipidemia. Em geral, o brasileiro mantém a medicação contra o colesterol alto por um período curto, que vai de três a seis meses, segundo as pesquisas de mercado feitas no País”, diz o médico José Rocha Faria Neto, professor de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e ex-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Apenas 40% dos hipertensos e 60% dos diabéticos em todo o mundo seguem corretamente a prescrição médica, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas, embora o abandono do tratamento seja um problema mundial, Faria Neto lembra que a situação é ainda mais grave nos países menos desenvolvidos. É o que mostra um estudo recente publicado pela revista científica The Lancet envolvendo 153.996 adultos de 17 nações, entre elas o Brasil, divididas em quatro categorias: países com desenvolvimento muito alto, alto, médio e baixo. Ao avaliar o uso contínuo de estatinas em pacientes que receberam essa indicação médica, os pesquisadores constataram que apenas 3,3% dos pacientes dos países com baixo desenvolvimento seguiam a prescrição, ante 66,5% nos países mais desenvolvidos.
A literatura médica aponta que nem mesmo as pessoas internadas em função de problemas cardiovasculares seguem o tratamento indicado pelo médico após a alta hospitalar. Um estudo divulgado pela revista científica Circulation, da Associação Americana de Cardiologia, revelou que 25% de 4.591 pacientes que passaram por essa situação já não obedeciam a prescrição médica assim que deixaram o hospital. Outro estudo, envolvendo 22.279 pacientes com síndrome coronariana aguda, mostrou que mesmo aqueles que passaram a se tratar adequadamente após o episódio, apenas 40% continuavam a tomar os medicamentos para controlar o colesterol passados dois anos da internação. Esse trabalho foi publicado no Journal of The American Medical Association (JAMA).
Falta informação
Para o cardiologista Faria Neto, a falta de informação é um dos fatores que leva muitos pacientes a abandonarem a medicação para doenças crônicas. “Boa parte da população não sabe, por exemplo, que o colesterol alto é um problema crônico, exceto quando causado exclusivamente por problemas dietéticos”, diz o médico. Além disso, nem sempre está claro para o paciente que a dislipidemia e a hipertensão, muito relacionadas a vários elementos da vida moderna, como alimentação inadequada, estresse e sedentarismo, representam os principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares, que são a primeira causa de morte por doença no País.
Não é à toa que, dentro desse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz uma projeção nada otimista para o Brasil: estima-se que, até 2030/2040, ocorra um aumento de 250% nas mortes por doenças cardiovasculares no País. Para tentar reverter essa situação, os médicos têm um papel fundamental, estimulando a adesão do paciente ao tratamento. “Ele precisa conversar com o paciente, entender suas necessidades, ouvir suas queixas e, quando necessário, até mesmo fazer ajustes na medicação”, avalia Faria Neto.
A desinformação também ajuda a alimentar mitos em outras áreas da medicina, em especial a psiquiatria. Receosos em adotar o uso contínuo de antidepressivos, muitos pacientes interrompem a medicação por conta própria, prejudicando seriamente o tratamento.